domingo, 5 de fevereiro de 2012
PÁSSARO
Bom, amigas(os) camardas, eu tenho uma paixão intacta por este trecho de PÁSSARO da Alice Ruiz. E este mesmo tem iluminado meus dias tristes e até os alegres quando volta e meia paro para ler de novo. Compartilho com vocês...
Mas não lembro o que sonhei porque acordei, abruptamente, com o barulho de um pássaro que voara em direção ao vidro da janela como se ela não existisse. Assisti sua morte, seu canto de morte. Ele saberia? Janelas novas pedindo, urgentes cortinas. Se a casa fosse minha. Mas uma casa pode pertencer a mim, substancialmente? eu mesma, tão passageira entre as coisas passageiras?
Ela disse: - eu agradeço por tudo, o tempo todo. - Pela dor também? Eu perguntei. E ela, em resposta, repetia minha pergunta: - pela dor também?
- Eu sei uma dor de amor, ela respondeu como quem quer se livrar dela, e começou a contar: - Um dia, ele percebeu, surpreso, que a intensidade do amor que eu sentia, não podia ser verdade, não por ele. Simplesmente não tinha o tamanho dele. Não alcançava, nem de longe, aquele significado todo. Então voou.
- Então foi isso que você sonhou, eu disse. Ela parecia absorta, mas perguntou: - como era mesmo o pássaro que morreu?.."



