domingo, 27 de janeiro de 2013
fragilidade masculina
Percebo que muito se fala sobre a fragilidade feminina, sua sensibilidade acentuada e sua percepção aguçada nas coisas simples do cotidiano, fator este que ofusca e muito a fragilidade masculina e o sofrimento amoroso do homem. Para alguns, isto é até um mito, para outros, é intolerável. Eu considero a fragilidade emocional masculina como algo que existe com toda certeza, mas que deve ser ponderado, analisado, e corrigido. Muitos dogmas foram apregoados e difundidos ao longo de gerações defendendo a ideia de que os homens não deveriam estar suscetíveis aos ímpetos de sensibilidade emocional da mesma forma que as mulheres. Em contrapartida, e com os seus respectivos períodos na história, influenciados e marcados principalmente pelos movimentos sexistas, reflexões filosóficas e literárias ao longo dos anos, dizia-se exatamente o contrário, tal qual se enquadra o pensamento atual: Que a sensibilidade masculina deve ser aflorada, cultivada, difundida e repassada. Estes dois dogmas perduraram por muito tempo, e homogeneizaram-se com outros ensinamentos errôneos, que levaram o homem atual a um desorientamento total na lida com aquilo que sente.
Os tempos são outros, obviamente. Mas o que vem acontecendo realmente com os homens na atualidade, é uma desarmonia gritante nos seus comportamentos característicos, bem como um déficit muito grande na sua forma de encarar seus sentimentos. Creio que, antes da defesa em prol do estímulo ao sentimentalismo e romancismo masculino, os homens apenas renegavam os seus sentimentos, o que não deixava de afetá-los. Mas que, ainda assim, eram menos prejudiciais ao mesmo, do que se comparado com o outro ponto de vista apresentado.
Internalizar os sentimentos não é, de forma alguma, a mesma coisa que saber lidar com eles. De forma que, a exposição deste sentimentalismo todo também inviabiliza este processo. Por quê? O homem não possui a mesma facilidade que as mulheres dispõem de confessar os seus sentimentos, fator este que torna a sensibilidade feminina bem mais evidente e natural que a masculina. Quando um homem decide se declarar, aquilo verdadeiramente é a coisa mais comprometedora que ele considere possível fazer. Assemelha-se até mesmo a uma rendição. E não deixa de ser, visto que, após a sua confissão sentimental, a mulher dispõe de algo precioso pertencente exclusivamente ao homem, e que agora é confirmado e compartilhado por ela e com ela. E que, a partir deste momento, pode ser muito bem uma arma valiosa a ser utilizada por ela contra ele. Não digo que a confissão sentimental é algo condenável, mas que, na maioria das vezes é precipitada, e o homem em questão não dispõe de preparação ou meios adequados para superar as possíveis frustrações que o aguardam. Tal fato geralmente ocorre ainda na adolescência, sendo um peso que ele levará pelo resto da vida, e talvez nunca consiga lidar de forma eficaz.
O que o mito da fragilidade feminina esconde, é o fato de que as mulheres sabem lidar melhor com os seus sentimentos e sofrimentos do que os homens. Assim sendo, os homens que ainda não aprenderam a racionalizar aquilo que sentem, estão muito menos aptos para poder lidar com seus conflitos passionais, restando apenas duas alternativas: Ou eles internalizam os seus sentimentos, ou tornam a declarar-se novamente, e mesmo bem intencionados, a agir despudoradamente. E assim sucessivamente a cada uma das mulheres das quais eles possam se envolver, sem dar atenção aos fracassos anteriores, sem refletir sobre os possíveis erros que poderão leva-los aos fracassos futuros.
E assim a história se repete, e mais um homem frustrado por toda a vida segue. Eis então algo a se considerar: As mulheres expõem mais facilmente os sentimentos que elas alegam sentir, e elas sabem melhor lidar com aquilo que sentem. Elas próprias afirmam serem mais impulsivas, elas próprias afirmam serem mais sensíveis. Não vejo que mal há em caber ao homem o papel de ser mais conciso, mais equilibrado, e mais reflexivo e observador. Se as mulheres agem impulsivamente, guiem-se pelas suas ações. Se elas afirmam ser mais sensíveis, deixem-nas assim o serem, não assumam este papel. Acreditem, as mulheres saberão utilizar melhor em seu próprio benefício aquilo que vocês sentem, do que vocês, caso seja o contrário. Fujam dos padrões de sensibilidade, sentimentalismo, e romantismo exacerbados. Extraiam o máximo de ideais e atitudes que a palavra ‘’Homem’’ representa. Guiem-se pelo que veem. Estejam prontos para tudo, isso inclui decepções, desgastes, dramas, crises, tentativas de manipulação, conjecturas, testes, tudo. Reconheçam que vocês não estão imunes a não sentir alguma coisa. Aprendam a lidar com isso. Reconheçam os seus erros. Estejam aptos para as correções. Sempre redefinam suas prioridades. Ponderem sobre cada uma das variáveis daquilo que vocês tenham suspeita de sentir. Saibam diferenciar o que é bom, e o que é prejudicial. Não se tornem obsessivos, e não se tornem absolutamente impermeáveis. Não se cristalizem em seus comportamentos, não sejam extremistas. Saibam dosar afeto, e diferenciá-lo de delicadeza. Escolham uma pessoa merecedora de sua atenção e dedicação. Levem a fidelidade ao pé da letra, pois assim sempre terão a razão ao seu favor caso esta seja questionada em algum momento no que concerne a isso. O que perdura e mantém um relacionamento é o ato de condicionarmos alguém para nós, e não apenas conviver com seus erros, mas sim trabalhar em conjunto na correção deles, e da natureza tendenciosa desse alguém em especial. Honrem a si, honrem apenas as merecedoras, e honrem o seu gênero. Esse é só o começo.


