quarta-feira, 24 de abril de 2013

Tudo que eu queria dizer:



Hoje, diferente dos outros dias, lembrei de ti.

É, bem involuntário, lembrei.

Inevitavelmente bateu uma vontade de voltar no tempo, quando ao acordar você gargalhava do meu jeito de lavar o rosto no inverno. Molhava os dois dedos indicadores e 'lavava' os olhos.
De quando eu fazia um bolo pra você e você - metido - ajudava, saindo com farinha no rosto e cobertura nas mãos.
De quando fazíamos um chimarrão nos finais de semana e sem destino saímos para passear.
Das noites de temporal, que eu tinha medo de trovões e você me abraçava no meio da noite pra me 'proteger'.
Deixei você ser livre e perceber que sabia respirar mesmo que eu estivesse distante, mas nunca em toda minha vida foi tão difícil deixar você ir.
É muita lembrança e muita indiferença. 
O correto seria pelo menos sermos amigos. E somos, só não compartilhamos as coisas.
O tempo passou a gente nunca mais se encontrou. Você me evita. Eu, me conformo.
Não tenho me identificado muito com ninguém. Mas tudo bem. Levei um tempo até entender que pode ser muito libertador não se sentir parte de nada. E tu sabe como sou, dramatizo para dar às coisas a importância que originalmente elas não têm.
Desta vez, as coisas que vivemos percebo que eram originalmente importantes e que dispensam minha dramatização porque fizeram uma história durar 12 anos e foi muito bonita.
Depois de tanto tempo, gostaria de esbarrar em você.

Mas hoje, virei pro lado, fechei os olhos… E me deu saudade. Puta merda, me deu muita saudade.
Dedicado a JCP.