terça-feira, 27 de setembro de 2016

Sobre Sensibilidade:



Esta manhã, no caminho para o trabalho, percebi o quanto é lindo o trajeto que eu faço. É curto, 12 km, mas um encanto! Reparei coisas que até enxergava dia-a-dia mas não contemplava de fato.

Passamos os dias no automático esperando e desejando que as coisas sejam no amanhã, do jeito que a gente quer hoje. Porque hoje, não dá pra fazer, já tem tanta coisa...

Seguimos nas badaladas do relógio correndo para cumprir os compromissos, comparecendo ao trabalho e cuidando da família.

Perdemos a SENSIBILIDADE. Olhamos para o céu mas não enxergamos o azul, olhamos as árvores mas não contemplamos os galhos, amanhecemos mas a gota do orvalho na folha, na janela ou na grama nem é observada quando o que temos é mais um dia atarefado.

Olhamos a imensidão do mar mas às vezes nem lembramos da sonoridade das ondas.. às vezes, é o contrário, vemos a imensidão e estamos surdos a sonoridade das ondas...
Acordamos num dia lindo, mas não agradecemos por ele.

Nos tornamos solitários na busca contínua de algo ou alguém que preencha um vazio que a rotina, embora tumultuada, não é capaz sanar.

Passeamos sozinhos de carro. Vagamos, na verdade.

Não nos damos o tempo de tomar chimarrão sem olhar o celular, abraçar e sentir o coração bater, comer e saborear o alimento, simplesmente o engolimos. Ler um livro e prestar atenção na história. Não temos mais paciência. 
Perdemos a sensibilidade de ouvir a canção e entendê-la. Não conseguimos mais entrar na fantasia das histórias de criança que com sua imaginação apurada esperam que sejamos o príncipe ou a princesa, ou a bruxa, o dragão, que seja...Não temos tempo.
Ou melhor, encaixamos compromissos para o dia todo, mas não o tempo para TER sensibilidade. Ouvimos (OUVIR significa ter recebido a informação, ou seja, perceber a existência de um som) mas não escutamos (ESCUTAR significa ter atenção ao som e atribuir à ele um significado).
Vemos a flor mas nem sabemos qual o perfume que exala.
Deitamos na cama, no sofá, na rede, mas esquecemos de sentir o prazer de relaxar ali.
Praticamos esportes mas não nos damos conta que estamos entre amigos.
Cozinhamos mas esquecemos de sentir o aroma..
Fazemos amor e raramente dormimos abraçados..
Temos sonhos e abrimos mão, muitas vezes desistimos deles.
Vemos alguém sofrendo mas não somos solidários. Não estendemos à mão, não oferecemos nosso ombro. 
Ignoramos o que nos faz bonitos: A SENSIBILIDADE.
Beijamos, mas não acariciamos o rosto, sentimos o cabelo mas não afagamos.
Como podemos deixar o ritmo frenético dos dias, o passar dos anos nos tornar pessoas insensíveis à tudo a nossa volta?

Resgate a sua SENSIBILIDADE. 

Que a pressa não te impeça de ver os detalhes... de (VI)ver a (V)ida.