terça-feira, 15 de outubro de 2019
Como não fazer menção?!
E como, estando no mês de outubro - mês do aniversário do autor (19/10/1913) - não fazer menção aos versos escritos no Estoril, em outubro de 1939, que foram posteriormente publicados no livro Poemas, Sonetos e Baladas (1946) por um autor que eu sou fã: Vinicius de Moraes
Soneto de Fidelidade
De tudo, ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.
Quero vivê-lo em cada vão momento
E em louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento.
E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama
Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.



