quarta-feira, 29 de abril de 2020

As vantagens de não ser o melhor





O esporte preferido do meu pai sempre foi futebol e, antigamente, quando ele jogava era bom no time.
Lembro uma vez em que ele comentou que o adversário ideal é o de mesmo nível e que se fosse preciso escolher entre jogar com um time melhor ou um pior, ele preferia jogar com um melhor. Me dizia que gratificante não era vencer fácil, mas aprender com quem te exige algum esforço.
Um verbo em desuso, que merece ser revitalizado: Aprender.
A verdadeira postura competitiva não é a do adversário que deseja atingir o topo DE QUALQUER MANEIRA, e sim, daquele que extrai de um superior o estimulo para encontrar o caminho da vitoria e vence, inclusive a si mesmo. Porque não são poucos nossos adversários internos: comodismo, a ferrugem, a arrogância..
É preciso disciplina no treino para flexibilizar os movimentos do corpo e da mente.
Prefiro conversar com pessoas mais experientes, vividas, inteligentes que eu, com melhores histórias, experiencias e talvez alguém sinta o mesmo em relação a mim mas o que importa não é isso. O que importa é ter a consciência do quanto nossa vida enriquece com a experiencia do outro.
Adoro jantar com quem conhece mais gastronomia do que eu, salientando temperos que normalmente eu não perceberia. Gosto de viajar com quem já viajou bastante e desenvolveu um olhar para certos lugares que para mim, são novos. Prefiro dançar com quem sabe me conduzir.
Gosto de aprender sem que o outro perceba que esta me ensinando, porque senão vira aula, xaropice, perde a graça.
Evidente que competidores profissionais tentam eliminar seu oponente. Menos um na escalada ao pódio! Ninguém treina tanto, investe tanto para não se importar em perder em nome do beneficio do aprendizado.
Os amadores deveriam perceber que, em vez de se fingirem de campeões duelando com derrotados, mais vale tornarem-se melhores com a passagem do tempo, através de conquistas no silêncio da observação. Na verdade é um troféu que você oferece à você mesmo - todos os dias.