terça-feira, 28 de maio de 2013
razão e amor
Dê-me, por favor, uma prova de amor. Porque a razão é concreta, e o amor, poesia abstrata. O amor é o valor que na verdade não existe, ou que existe, mas apenas em nós para nos enlouquecer, e a razão é o mundo que já não me satisfaz. O amor não devia, mas é um ato de fé. Dê-me então uma prova de amor, porque no amor não se confia. Porque o amor é o desejo, é o beijo, é o sexo, e a razão é a camisinha. Dê-me uma prova de amor porque a razão sozinha não compensa, ainda que o amor não meça consequências. Porque a razão é o caos, e o amor, uma aparente ordem. O corpo brinca, dança, é implicante, é teimoso, é irresistível e engana, como o amor, e a razão é apenas irresistível, mas porque funciona. O amor, no entanto, nem sempre funciona. Por isso dê-me uma prova de amor, porque o amor sozinho não trará sentido, mas dê-me amor também, porque, sem amor, todo o resto que não for o mundo entendível… nesse caso, minha razão não teria razão alguma.



