Aprendi a engolir os socos que, apesar de querer dar, não passaram de vontade quase incontrolável. Aprendi a digerir os sapos e a seguir com eles dentro de mim, à beira do vômito, à beira do envenenamento, à beira da gastrite, à beira do precipício, à beira do hospício e, nem por isso, cuspi-los em forma de pontapés e tapas. Aprendi a conter a raiva que, vez ou outra, faz-me desgastar os dentes e sentir dor na mandíbula. Aprendi a passar longe da arma carregada e da vontade de puxar o gatilho. Aprendi a prender meus demônios, porém, um dia, talvez, diante daquele que insiste em ser o estopim para minha ira, eu finja que esqueci como contê-los.