quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Era Abril




Eu estarei por perto quando você achar que tudo acabou.

Parece que foi ontem: ele era (deveria eu escrever no presente?!) pouco mais alto que eu, magro,bem intencionado ou pelo menos disposto a ajudar, nos pés all star e estava ali me esperando. Logo depois estava caminhando pelos corredores do prédio onde eu trabalho, num ritmo diferente (mas ele não sabia) que me encantaria.

Jeans,camiseta e um sorriso bem diferente. Lembrava Raul e as vezes passava as mãos nos cabelos semilongos,tinhas mãos bem cuidadas, misto de príncipe com cantor de rock. Lembro da voz lânguida e articulava as palavras pronunciando-as lentamente. Transmitia paz, calma. Tinha vontade de ficar ali o resto do dia e quem sabe do mês...Era lindo demais. E atrevido demais. Mais novo, sadio. Deu uma luz na minha cabeça, sabe quando a coisa te ilumina? Assim como se ele formulasse o que eu, confusamente, estava apenas tateando? É, disfarcei bem o impacto que não demorou, me vi na lona. Nocauteada.
Só que o nosso grande papo, por circunstâncias externas, nunca pôde pintar. Era descabido. Ou melhor, proibido.
Foi apenas uma impressão, depósito de desejos reprimidos ou talvez jamais imaginados.
Deu-se o contato. Deu-se a prosa.
Tinha vontade de abrir um zíper nas costas e sair do corpo porque dentro de mim, naquele momento, não era bom lugar para se estar. Só que o que parecia desaparecer estava lentamente aumentado.
Me perdi.
Não consegui sair, me apaixonei.
Nos tornamos confidentes, amigos. Eu sempre iria e vou estar aqui, pronta devolver a ajuda.

Não posso (ou não quero) acreditar que só eu senti, seria doloroso demais. Mas seria honesto, pelo menos.
A verdade é que justo quando eu estava em paz, quietinha e no meu canto um tsunami passou no meu quintal justo quando eu, de tão bem, estava com as janelas abertas.

Você pode imaginar o restante, não é?


destroços