terça-feira, 8 de abril de 2014

Na maioria dos casais, a despedida consiste em um beijo. Às vezes, com acréscimo dum te-vejo-mais-tarde, pra dar aquele ar conspiratório na coisa toda. O que é até legal, quando se trata dum casal. A despedida de certa forma define os casais. Permite transparecer o afeto e envolvimento entre ambos. Aos interlocutores, é até bem convincente, principalmente se esse afeto for real. Ou, se os atores forem bons. Nada exagerado, apenas uma fagulha de cumplicidade já é o suficiente pra atestar sua veracidade. No nosso caso, um aperto de mãos seguido de foi-um-prazer-fazer-negócios-com-você me parece ser bem mais adequado. Mas nós somos exceção. Nossa despedida de certa forma, se enquadra na nossa descrição. Discrição. É o que queremos. O teatro não possibilitaria isso. A nossa casualidade garante a nossa integridade emocional.

Na maioria dos casais, a despedida consiste em um beijo. No nosso caso, um aperto de mãos. Mas não somos um casal. Somos um caso. Temos um caso. Um caso à parte.