segunda-feira, 30 de junho de 2014
A gente
Ele é de virgem e eu de sagitário. Ele é a pausa e eu sou o travessão, a reticência, a exclamação, sou tudo que corre. Eu deito no sol e ele fica esperando a lua. Se fossemos água, eu seria o Niágara e ele um lago oculto em uma caverna no Mato Grosso do Sul. Eu adoro cerveja, vinho. Ele adora coca-cola, água e suco. Eu não passo dos cinqüenta quilos (cof, cof..) e ele tem um peito largo e lindo feito pra me acolher. Acho que Paris é uma festa e ele já quer o silêncio das montanhas.
A gente nunca foi Batman e Robin ou Peter Pan e Sininho. Nosso perfil é muito mais Tom e Jerry ou Scott e Zelda Fitzgerald. Combinamos em pouca coisa. Uso meias pra dormir. As dele, prefere deixar na gaveta. Eu vou noite adentro com o notebook no colo e um livro do lado. Ele, vai resmungando, murmurando, murchando, e dorme sem que eu conecte o notebook à fonte. Eu quero sexo louco. O meu menino quer um amor, e tem que ser o amor mais gostoso do mundo. Se me tirarem minha agenda, 'bato pino' mal sei meu nome. Ele me vem, me acalma, ele é minha agenda.
De igual, a gente tem pouco, sou elétrica ele zen, mas temos olhos claros. No verde dele toda esperança que eu preciso.
Acontece que, quando a gente se encontra, tudo é soma. A gente se funde e se enlaça que quase manda às favas aquela história de que dois corpos não ocupam o mesmo espaço no universo. Se o meu nariz encontra o dele, meu ar vai embora e ele continua respirando por mim. Quando a mão dele se perde no meu cabelo e eu me encosto no peito dele, nossos corações vão se alinhando pra baterem juntinhos, numa mensagem que diz “viram, é um só”. Quando ele abre um sorriso, eu morro. Quando juntos, a gente é inteiro. Feito de milhares de beijos, centenas de abraços, quarenta dedos, quatro pernas, duas bocas e uma alma.


