segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

Harmonização da comida com vinho:



Sou apaixonada pela enogastronomia, o que não é nenhuma novidade pois daí surgiu meu interesse em Sommelier onde logo me vi estudando o fabuloso mundo do vinho e harmonizando. É uma arte combinar vinho com a comida. Quando os nossos sentidos percebem, na boca, que determinado vinho harmoniza com determinado prato, a união dos prazeres conferidos por um e outro é maior do que a simples soma das sensações, transforma-se numa nova sensação.

Quando estamos diante de um bom prato mas o vinho não combina, a vida segue assim com sua poesia. A gente uma fatia de pão e um gole de água para que a comida e o vinho não briguem e assim não estaremos diante de nenhuma tragédia.

Mas quando percebemos a partir da magia a inebriante explosão de sentidos que um casamento adequado entre o prato e o vinho pode conferir, é maravilhoso! Para uma união perfeita é um pouco complicado, porque depende dos ingredientes da comida e do copo, das escolhas culturais de cada região e de cada safra.

Um bom vinho pode matar um excelente prato se ambos não forem compatíveis. E o contrário da mesma forma. Na combinação, é desejável que o vinho complemente os aromas da comida.

Por exemplo: a intensidade do aroma do hortelã e a acidez da coalhada seca pedem um vinho que enfrente as duas situações. Um bom chardonnay chileno com madeira costuma ter corpo e peso. Um espaguete com molho de tomate pede um vinho italiano, com acidez suficiente para enfrentar o molho vermelho.

Não criem constrangimentos com seus convidados com regras fixas. A refeição é feita para dar prazer, e a harmonização deve levar em conta o gosto pessoal de cada um.

Sempre digo que o melhor de tudo é experimentar vinhos novos, até dominar as possibilidades.

A maioria das pessoas que gosta de vinho segue esta regrinha: vinho branco com carnes brancas e peixes, e tinto com carnes vermelhas. Não é errado! Mas atualmente encontramos uma grande riqueza culinária e a fusão multicultural de receitas. Novas regiões vinícolas em todo o mundo. Mudam-se os costumes.

Os pratos orientais, geralmente, são picantes, condimentados, o que não significa que tenham peso. Para este tipo de comida, os casamentos mais recomendados são vinhos similares. Um vinho de intensidade branco de corpo médio, como o Sauvignon Blanc, um espumante brut ou um Jerez seco.

Para não errar, preste atenção nos molhos, pois são eles quem mandam na receita e passam a direção na escolha do vinho. Alimentos grelhados ou tostados no carvão pedem um robusto e tânico Cabernet Sauvignon. Os taninos adstringentes são domados com carne malpassada, que é rica em gordura e proteína. Um vinho tânico, com pratos vegetarianos, pode brigar com a proteína disponível.

Caro leitor, um conselho: crie suas próprias combinações pessoais, desenvolva seu conceito particular do que é uma boa harmonização entre comida e vinho. Tente descobrir os segredos de um bom casamento entre ambos sem medo de ser feliz.

Você também vai se encantar, eu garanto.